31 janeiro, 2011

Do Lado de Cá


"Se a vida às vezes dá uns dias de segundos cinzas
e o tempo tic taca devagar
Põe o teu melhor vestido, brilha teu sorriso
Vem pra cá, vem pra cá
Se a vida muitas vezes só chuvisca, só garoa
e tudo não parece funcionar
Deixe esse problema a toa, pra ficar na boa
Vem pra cá
Do lado de cá, a vista é bonita
A maré é boa de provar
Do lado de cá, eu vivo tranquila
E o meu corpo dança sem parar
Do lado de cá tem música, amigos e alguém para amar
Do lado de cá
Do lado de cá

A vida é agora, vê se não demora pra recomeçar é só ter vontade de felicidade pra pular"

Chimarruts



Dois e dois: quatro



“Não vivemos para nós, vivemos para o outro e nos inventamos a cada dia... Somos seres culturais, criamos nossos valores. É a cultura que nos faz ser gente: quanto mais estudamos, mais humanos nos tornamos”.  


 
“Poema a gente não decide: ele simplesmente vem... Como dizia Manuel Bandeira: não escolhemos o poema, o poema é que escolhe a gente. Sempre há algo que tira o equilíbrio, sempre há um momento em que é necessário traduzir sentimentos em palavras”. Gullar.



Dramaturgo, ensaísta, cronista, poeta, Ferreira Gullar é um autor e ser humano completo. Modesto,  vê na simplicidade a evolução e na complexidade o singelo – preza pela humanidade, que é protagonizada em seus textos, quer sejam poemas, crônicas ou artigos – a exemplo, o poema Dois e dois: quatro.  






                    “Como dois e dois são quatro
                       Sei que a vida vale a pena
                       Embora o pão seja caro
                      E a liberdade pequena (...)”.


Ferreira Gullar

28 janeiro, 2011

Ela tem...

"... Ela tem cara de menina mimada, um quê de esquisitice, uma sensibilidade de flor, um jeito encantado de ser, um toque de intuição e um tom de doçura. Ela reflete lilás, um brilho de estrela, uma inquietude, uma solidão de artista e um ar sensato de cientista. Ela é intensa e tem mania de sentir por completo, de amar por completo e de ser por completo. Dentro dela tem um coração bobo, que é sempre capaz de amar e de acreditar outra vez. Ela tem aquele gosto doce de menina romântica e aquele gosto ácido de mulher moderna'". 

 
Caio Fernando Abreu

Ponha a saia mais leve



"Ponha a saia mais leve, aquela de chita e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim. Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela."







Carlos Drummond de Andrade

Ando de um lado pra outro




 
“...Ando de um lado pra outro, dentro de mim, as mãos abandonadas, pronta pra inventar uma tragédia russa, pronta pra criar um motivo que me acorde... horrível. Estou tão vaga, tinha vontade de fazer um embrulho de mim, com papel de seda, lacinho de fita, e mandá-lo pra você. Aceita?”





Clarice Lispector

27 janeiro, 2011

Cara Estranho


"Olha só, que cara estranho que chegou
Parece não achar lugar
no corpo em que Deus lhe encarnou
Tropeça a cada quarteirão
não mede a força que já tem
exibe à frente o coração
que não divide com ninguém
Tem tudo sempre às suas mãos
mas leva a cruz um pouco além
talhando feito um artesão
a imagem de um rapaz de bem
Olha ali quem está pedindo aprovação
Não sabe nem pra onde ir
se alguém não aponta a direção
Periga nunca se encontrar
Será que ele vai perceber
que foge sempre do lugar
deixando o ódio se esconder
Talvez se nunca mais tentar
viver o cara da TV
que vence a briga sem suar
e ganha aplausos sem querer

Faz parte desse jogo
dizer ao mundo todo
que só conhece o seu quinhão ruim

É simples desse jeito
quando se encolhe o peito
e finge não haver competição

É a solução de quem não quer
perder aquilo que já tem
e fecha a mão pro que há de vir"


Marcelo Camelo

Se eu soubesse...




"Se eu soubesse antes o que sei agora
Erraria tudo exatamente igual..."



Humberto Gessinger (Engenheiros do Hawaii)


Adultos podem (e devem)...


 Adultos podem (e devem) contar piadas, passear no parque, rir alto e lamber a tampa do iogurte. Ser adulto não é perder os prazeres da vida - e esse é  o único "não" realmente aceitável. Teste a teoria. Uma semaninha, para começar. Veja e sinta as coisas como se elas fossem o que realmente são: passageiras. 


Arnaldo Jabor