10 julho, 2014



Vontade de me apaixonar, de ser vencida por um olhar,
de ser roubada por uma mão que me pega na cintura,
de ver alguém me descobrindo com ar de surpresa,
de perder o raciocínio para o pensamento em alguém,
de não enxergar distância entre os dois lados da cidade,
de me arrumar por algum motivo a mais que o trabalho,
de ter disposição para encontrar músicas novas,
de ler uma poesia e saber que seria possível vivê-la,
de encontrar alguma graça em passar pelo domingo,
vontade de ser encontrada em uma multidão de vazios,
vontade de que fosse agora e para sempre.
Preciso te achar desesperadamente
e é tão pouco e quase próximo...
o que nos separa são os encontros.

Cáh Morandi

08 julho, 2014



Talvez eu tenha cansado de conhecer e desconhecer pessoas. Talvez eu tenha cansado de ter que ficar redescobrindo a confiança naqueles que me circulam. Hoje só quero paz, tranquilidade e risos sinceros. Na verdade, quero tudo sincero, é só disso que preciso. Você e sua sinceridade. O resto, a gente decide amanhã no café da manhã.

Frederico Elboni

28 junho, 2014

Sobre você



Sobre você, eu espero ou esqueço? Compareço ou desapareço?
Confio ou coloco as barbas de molho? Acredito, arrisco, entrego tudo ou apenas observo o andar da carruagem?
Sobre você, eu tenho um punhado de incertezas, escrevi um tantão de poesias, conheci detalhes impressionantes e por eles mergulhei a cara na lua, como um ato insano. 
Sobre você, eu guardo as histórias dos vendavais que enfrentei para depois descansar por uns minutos na calmaria dos abraços ofertados. Guardo a rima da canção, o cheiro amadeirado no ar e a angústia das esperas que me fizeram esfriar as mãos e dizimar a minha tranquilidade interna.
Tudo sobre você, é quase uma multidão de outros humanos arrancando fortes alegrias que eu consumi com todo gosto. Sobre você, tem ainda a poesia no rodapé do caderno, cuja inspirada efervescência, surgiu nos dias mais escuros. Tome nota disso e diga-me o que faltou eu saber sobre você.
E sobre você, o que é capaz de causar em mim? Inquietação, angústia, impaciência.
Disseram que são sintomas de sua importância e eu bestamente não soube lidar.
Sobre você havia um perigo incrível, o dilema de uma atração sem pressa pra acabar.
Sobre você havia ainda uma necessidade inata. A lei da gravidade que nunca me deixou ir de uma vez por todas. Um imprevisto sedutor. Vagarosas e insinuantes vontades
Sobre você que não houve rompimento, promoções explosivas de afeto, nem promessas de continuar.
Sobre você que não posso tocar, ainda é pra esperar? 


Ita Portugal

21 junho, 2014

NÃO DECIDIR É UMA GRANDE DECISÃO



Desejamos ter o controle dos fatos, mandar no curso dos acontecimentos, demonstrar poder e se antecipar ao pior. Mas, em alguns momentos, não decidir é a melhor decisão que a gente pode tomar. 

Decidir nem sempre nos ajuda. Decidir pode ser burrice, não independência. Decidir pode expressar o nosso egoísmo e vamos nos arrepender logo em seguida. Decidir pode ser a ânsia de se livrar daquela chatice, daquela adversidade. Decidir pode ser apenas desistir.

Não custa nada esperar dois dias, tenta entender por que está sentindo tanta raiva, amadurecer a opinião para não se machucar e não machucar ninguém, cicatrizar o mal-estar com silêncio. Não custa nada levar o assunto para roda dos amigos, para o terapeuta, ouvir o conselho de quem já passou por situações parecidas.

O mais difícil na vida não é jogar a pedra, mas manter a pedra no chão.


Carpinejar.

15 junho, 2014


"Quando Alice estava tomando chá com o Chapeleiro Louco, ela notou que não havia geléia. Pediu, então geléia, e ele disse:”A geléia é servida dia sim, dia não. ”Alice reclamou: ”Mas ontem também não havia geléia!” ‘Isso mesmo’ respondeu o Chapeleiro Louco. ’A regra é esta: geléia sempre ontem e geléia amanhã, nunca geléia hoje…porque hoje não é ontem nem amanhã.
E é assim que você está vivendo: geléia ontem, geléia amanhã, nunca geléia hoje. E é aí que está a geléia! Assim você imagina; você vive em um estado dopado, sonolento. Você esqueceu completamente que este momento é o único momento real. E, se quiser algum contato com a realidade, acorde aqui e agora!"
Livro “O homem que amava as gaivotas" – Osho

14 junho, 2014

O que é poesia?



"O que é poesia?" O menino me perguntou.
"Poesia é a forma diferente de olhar as coisas."
Eu perguntei:
"o que tem em minhas mãos?"
"Água." Todos responderam.
Perguntei de novo:
"o que tem nas minhas mãos?"
"água."
Perguntei mais uma vez, só que desta vez alguém lá no fundo disse:
"mar"
do outro lado alguém disse
"Chuva"
"enchente"
"lágrimas"
"Vida"
"suor"
"refrigerante"
"suco"
"banho"
etc.
etc.
etc.
Aí, eu disse:
"Pera lá, mas agora pouco não era só um copo de água?"
"ha, ha, ha, ha, ha, ha..."
E todos nós rimos como se a dor não existisse.
E a água da poesia quase afogou meus olhos.
O Coração já tinha transbordado há muito tempo.'

Poeta Sérgio Vaz

16 março, 2014

HOMEM SE APAIXONA FÁCIL, MAS AMA DIFÍCIL



Homem se apaixona fácil, o que ele tem medo é de amar.

Mulher não se apaixona fácil, mas não tem medo de amar.

São dois fusos diferentes. São duas realidades em desacordo.

Homem logo se entrega para um relacionamento, não mede esforços para ficar com alguém, renuncia sua vida e seus prazeres mais essenciais, altera sua rotina. Na paixão, sua generosidade é corajosa. Facilita as saídas aos bares e restaurantes, facilita a intimidade na casa, facilita o arrebatamento. Nada incomoda, nada atrapalha, nenhum defeito é contabilizado.

Sua complicação é quando passa a amar, quando larga a fase da aventura e do desconhecimento dos meses iniciais para fazer plano junto. Daí ele estaciona, emperra. Tanto que sofre horrores para dizer o primeiro eu te amo. Tanto que sofre horrores para misturar as escovas de dente. Tanto que sofre horrores para dividir as prateleiras. É como se não pensasse até aquele momento.

Na paixão, ele não avalia as separações anteriores, suas falhas de sistema, suas fobias de convivência. Explode por intuição, desmemoriado. É vir o amor que ele recua, entra em julgamento, contrai o olhar e economiza as palavras. É consolidar os laços que se confunde, acumula receios e inventa desculpas.

A mulher é exatamente o contrário, e bem mais coerente. Leva tempo para se apegar, questiona de saída, é desconfiada na paixão, cética na paixão, contida na paixão. Sofre passo a passo. Empenha malha fina da personalidade na apresentação. Sua instabilidade é de imediato, sua crise de consciência é no começo. Quando descobre que gosta realmente, é que se liberta e derruba suas defesas. É realizar projetos e formular expectativas que se solta e se desinibe. Para ela, o amor acontece mais natural do que a paixão. Paixão é choque, dói; amor é costume, cicatriza.

Homem diz “Não quero me envolver”. A mulher diz “não quero me apaixonar”. As declarações são representativas. Ele recusa intimidade após o contato, ela pretende evitar qualquer contato, já que a intimidade não a assusta.

Homem mergulha para reclamar da água. A mulher experimenta a água antes de entrar.

Homem tem primeiro certeza para depois duvidar. A mulher duvida até cansar sua cautela.

Homem oferece tudo para retirar gradualmente. A mulher esconde tudo para oferecer aos poucos.

Homem se mostra desembaraçado e, em seguida temeroso. Mulher se apresenta temerosa e, em seguida, desembaraçada.

Homem decide rápido para desmanchar lentamente sua convicção. Mulher demora a se decidir, mas não volta atrás.

Homem é paixão. Mulher é amor.


Carpinejar!

Publicado no jornal Zero Hora
Revista Donna, p.6
Porto Alegre (RS), 16/03/2014 Edição N° 17734

20 fevereiro, 2014

A paixão não pele licença



Eu disse “sim” ao inevitável. Eu disse “sim” ao imprevisível. Só disse “não” para as tentativas de tentar controlar variáveis imprevisíveis como as do coração e para o medo que só serve como uma âncora que nos enraíza em águas falsamente seguras e sem sal.

Ricardo Coiro em: A paixão não pele licença.

O texto completo: http://www.revistacatwalk.com.br/a-paixao-nao-pede-licenca/