30 julho, 2012

Como soa dividir comigo...



Como soa dividir comigo essa existência idiotamente ridícula, morna, real, estúpida, bagaceira e imbecil? Vamos fazer diferente, como ninguém mais sabe fazer, só nós? Diz que vamos, vai.
Não? É tudo que preciso pra começar a te conquistar. Diz que não com os olhos cheios de esperança. Com duzentos "nãos" eu construo um castelo, uma roda gigante, uma cabaninha de lençol na sala, um altar, um amor, um sim bem grande. 
Com um sim entre você e eu, te roubo inteiro e metade da felicidade do mundo.

Isso, faz assim. Se faz de labirinto quando eu me oferecer em linha reta. Diz que metade de mim, a parte amiga, tá bom, só pra me empurrar inteira coração adentro, goela abaixo, com toda a calma do mundo. Isso, faz assim. Dá voltas e voltas e voltas na chave da tua emoção só pra eu me exibir que posso te desarmar, desarrumar sua vida e seus cabelos. Embora eu não te ame ainda, mesmo o amor não existindo, diga não e me encoraje a pôr tudo à prova.

Finge não me querer, disfarce o brilho no olhar, esconda o sorriso atrás dos cabelos, ganhe torcicolo de tanto cuidar o outro lado, fique o tempo todo pensando no jeito infalível de ganhar o Oscar de melhor "tô nem aí". Me ache chata se eu te procurar, me ache a mulher da sua vida se eu sumir, me veja feia do teu lado, me veja linda do lado dos outros. Diga trocentas vezes pro espelho que sou a garota mais idiota, mais engraçada, mais fajuta, mais encantadora que você fingiu não gostar.
Perfeito assim. Fosse sem esses enigmas, sem esses rodeios, sem esses movimentos, sem esses contrastes eu o rejeitaria como todas os outros. 

Aí você se dá conta que para voar é preciso tirar o peso dos ombros, se desanda, e diz pra mim, no ouvido, com um fio de voz e outro de esperança de que seja tudo real, que isso é o maior erro do ano, que não imaginava existir tanta culpa no céu, que as pessoas ficaram mais bacanas depois que encasquetei em te querer. Tudo sorrindo mais do que seu rosto aguenta.

Depois, com pequenos beijinhos e mordiscadas virando e desvirando seu corpo, virando e revirando seus olhos, convenço que os maiores amores se acertam nos erros, quando a loucura e a entrega vencem a resistência e o medo de alguma forma. 

-Gabito Nunes

27 julho, 2012

Velha e louca



♫ Pode falar que eu não ligo,
Agora, amigo,
Eu tô em outra,
Eu tô ficando velha,
Eu tô ficando louca.
Pode avisar qu'eu não vou,
Oh oh oh...
Eu tô na estrada,
Eu nunca sei da hora,
Eu nunca sei de nada.
Nem vem tirar
Meu riso frouxo com algum conselho
Que hoje eu passei batom vermelho,
Eu tenho tido a alegria como dom
Em cada canto eu vejo o lado bom.
Pode falar qu'eu nem ligo,
Agora eu sigo
O meu nariz,
Respiro fundo e canto
Mesmo que um tanto rouca.
Pode falar, não importa
O que tenho de torta,
Eu tenho de feliz,
Eu vou cambaleando
De perna bamba e solta.
Nem vem tirar
Meu riso frouxo com algum conselho
Que hoje eu passei batom vermelho,
Eu tenho tido a alegria como dom
Em cada canto eu vejo o lado bom. 
Mallu Magalhães

22 julho, 2012

O primeiro beijo.


Os dois mais murmuravam que conversavam: havia pouco iniciara-se o namoro e ambos andavam tontos, era o amor. Amor com o que vem junto: ciúme.
- Está bem, acredito que sou a sua primeira namorada, fico feliz com isso. Mas me diga a verdade, só a verdade: você nunca beijou uma mulher antes de me beijar? Ele foi simples:
- Sim, já beijei antes uma mulher.
- Quem era ela? perguntou com dor.
Ele tentou contar toscamente, não sabia como dizer.
O ônibus da excursão subia lentamente a serra. Ele, um dos garotos no meio da garotada em algazarra, deixava a brisa fresca bater-lhe no rosto e entrar-lhe pelos cabelos com dedos longos, finos e sem peso como os de uma mãe. Ficar às vezes quieto, sem quase pensar, e apenas sentir - era tão bom. A concentração no sentir era difícil no meio da balbúrdia dos companheiros.
E mesmo a sede começara: brincar com a turma, falar bem alto, mais alto que o barulho do motor, rir, gritar, pensar, sentir, puxa vida! como deixava a garganta seca.
E nem sombra de água. O jeito era juntar saliva, e foi o que fez. Depois de reunida na boca ardente engulia-a lentamente, outra vez e mais outra. Era morna, porém, a saliva, e não tirava a sede. Uma sede enorme maior do que ele próprio, que lhe tomava agora o corpo todo.
A brisa fina, antes tão boa, agora ao sol do meio dia tornara-se quente e árida e ao penetrar pelo nariz secava ainda mais a pouca saliva que pacientemente juntava.
E se fechasse as narinas e respirasse um pouco menos daquele vento de deserto? Tentou por instantes mas logo sufocava. O jeito era mesmo esperar, esperar. Talvez minutos apenas, enquanto sua sede era de anos.
Não sabia como e por que mas agora se sentia mais perto da água, pressentia-a mais próxima, e seus olhos saltavam para fora da janela procurando a estrada, penetrando entre os arbustos, espreitando, farejando.
O instinto animal dentro dele não errara: na curva inesperada da estrada, entre arbustos estava... o chafariz de onde brotava num filete a água sonhada. O ônibus parou, todos estavam com sede mas ele conseguiu ser o primeiro a chegar ao chafariz de pedra, antes de todos.
De olhos fechados entreabriu os lábios e colou-os ferozmente ao orifício de onde jorrava a água. O primeiro gole fresco desceu, escorrendo pelo peito até a barriga. Era a vida voltando, e com esta encharcou todo o seu interior arenoso até se saciar. Agora podia abrir os olhos.
Abriu-os e viu bem junto de sua cara dois olhos de estátua fitando-o e viu que era a estátua de uma mulher e que era da boca da mulher que saía a água. Lembrou-se de que realmente ao primeiro gole sentira nos lábios um contato gélido, mais frio do que a água.
E soube então que havia colado sua boca na boca da estátua da mulher de pedra. A vida havia jorrado dessa boca, de uma boca para outra.
Intuitivamente, confuso na sua inocência, sentia intrigado: mas não é de uma mulher que sai o líquido vivificador, o líquido germinador da vida... Olhou a estátua nua.
Ele a havia beijado.
Sofreu um tremor que não se via por fora e que se iniciou bem dentro dele e tomou-lhe o corpo todo estourando pelo rosto em brasa viva. Deu um passo para trás ou para frente, nem sabia mais o que fazia. Perturbado, atônito, percebeu que uma parte de seu corpo, sempre antes relaxada, estava agora com uma tensão agressiva, e isso nunca lhe tinha acontecido.
Estava de pé, docemente agressivo, sozinho no meio dos outros, de coração batendo fundo, espaçado, sentindo o mundo se transformar. A vida era inteiramente nova, era outra, descoberta com sobressalto. Perplexo, num equilíbrio frágil.
Até que, vinda da profundeza de seu ser, jorrou de uma fonte oculta nele a verdade. Que logo o encheu de susto e logo também de um orgulho antes jamais sentido: ele...
Ele se tornara homem.


Clarice Lispector

A mão e a luva.



- Se não sabe o que sou, - continuou Guiomar, - eu mesma o direi, para que se não case comigo assim de emboscada, e não lhe aconteça unir-se a um demônio, supondo que é um anjo.
- Um demônio! exclamou Luís Alves rindo.
- Nem mais nem menos, retrucou ela rindo também. Saiba pois que sou muito senhora da minha vontade, mas pouco amiga de a exprimir; quero que me adivinhem e obedeçam; sou também um pouco altiva, às vezes caprichosa, e por cima de tudo isto tenho um coração exigente. Veja se é possível encontrar tanto defeito junto.
Luís Alves respondeu que eram tudo qualidades excelentes, e esteve quase a dizer que lhe faltava mencionar ainda outra, que era a fundamental de todas; preferiu aludir a ela depois do casamento.
(...)
O destino não devia mentir nem mentiu à ambição de Luís Alves. Guiomar acertara; era aquele o homem forte. Um mês depois de casados, como eles estivessem a conversar do que conversam os recém-casados, que é de si mesmos, e a relembrar a curta campanha do namoro, Guiomar confessou ao marido que naquela ocasião lhe conhecera todo o poder da sua vontade.
- Vi que você era homem resoluto, disse a moça a Luís Alves, que, assentado, a escutava.
- Resoluto e ambicioso, ampliou Luís Alves sorrindo; você deve ter percebido que
sou uma e outra coisa.
- A ambição não é defeito.
- Pelo contrario, é virtude; eu sinto que a tenho, e que hei de fazê-la vingar. Não
me fio só na mocidade e na força moral; fio-me também em você, que há de ser para mim uma força nova.
- Oh! sim! exclamou Guiomar.
E com um modo gracioso continuou:
- Mas que me dá você em paga? um lugar na câmara? uma pasta de ministro?
- O lustre do meu nome, respondeu ele.
Guiomar, que estava de pé defronte dele, com as mãos presas nas suas, deixou-se cair lentamente sobre os joelhos do marido, e as duas ambições trocaram o ósculo fraternal. Ajustavam-se ambas, como se aquela luva tivesse sido feita para aquela mão.

Machado de Assim em: A mão e a luva.

Gato Gaiato


Pelo o que me diz respeito
Eu sou feita de dúvidas
O que é torto o que é direito
Diante da vida
O que é tido como certo, duvido
Sou fraca, safada, sofrida
E não minto pra mim
Vou montada no meu medo
E mesmo que eu caia
Sou cobaia de mim mesma
No amor e na raiva
Vira e mexe me complico
Reciclo, tô farta, tô forte, tô viva
E só morro no fim
Lá do alto do telhado pula quem quiser
Só o gato que é gaiato
Cai de pé
E pra quem anda nos trilhos cuidado com o trem
Eu por mim já descarrilho
E não atendo a ninguém
Só me rendo pelo brilho de quem vai fundo
E mergulha com tudo
Pra dentro de si
E se a gente coincidisse
Num sonho qualquer
Eu contigo, tu comigo
Os dois, homem e mulher
Sendo a soma e tendo a chance de ser
Um par de pessoas, na boa
Vivendo felizes

Zizi Possi

21 julho, 2012

Como se fosse o último



Quem dera eu aprendesse a viver cada dia como se fosse o último. O último para dizer “obrigada”. O último para dizer “me desculpa”. O último para dizer “eu te amo”. O último para abraçar cada pessoa amada com aquele abraço bom que faz um coração cantar para o outro. O último para apreciar a vida com o entusiasmo que não guarda nenhuma delícia nem ternura pra depois. O último para fazer as pazes. Para desfazer enganos. Para saborear com calma, como se me servissem um banquete, a preciosidade genuína que cada único respiro humano representa.

Quem dera eu aprendesse a viver cada dia como se fosse o último. O último pra esquecer tolices. O último para ignorar o que, no fim das contas, não tem a menor importância. O último para rir até o coração dançar. O último para chorar toda dor que não transbordou e virou nódoa no tecido da vida. O último para deixar o coração aprontar todas as artes que quiser. O último para ser útil em toda circunstância que me for possível. O último para não deixar o tempo escoar inutilmente entre os dedos das horas.

Quem dera eu aprendesse a viver cada dia como se fosse o último. O último para me maravilhar diante de cada expressão da natureza com o olhar demorado de quem olha pela primeira vez. O último para ouvir aquela música que acende sóis por toda a extensão da minha alma. O último para ler, de novo, o poema que diz tanto de mim que eu me sinto caber nos olhos do poeta que o escreveu. O último para desembaraçar os fios emaranhados dos medos que me acompanham.

Quem dera eu aprendesse a viver cada dia como se fosse o último. Eu não perderia uma chance para me presentear com os agrados que me nutrem. Eu criaria mais oportunidades para dizer o meu amor. Para expressar a minha admiração. Para destacar para cada pessoa a beleza singular que ela tem. Para compartilhar. Eu não adiaria delicadezas. Não pouparia compreensão. Não desperdiçaria energia com perigos imaginários e com uma série de bobagens que só me afastam da vida.

Quem dera eu aprendesse a viver cada dia como se fosse o último, porque pode ser.

Ana Jácomo

18 julho, 2012

Era uma Vez...



Era uma Vez...
Era uma vez uma garota,era uma vez um garoto. Era uma vez,um tempo em que se podia acreditar em finais felizes, era uma vez um tempo em que se podia simplesmente ACREDITAR.
Era uma vez,alguém que acreditava que podia sim,superar a dor. Reconstruir um coração. Que podia,voltar a sorrir.
Era uma vez alguém que achou que era feliz. Era uma vez alguém que era feliz e não sabia. Era uma vez alguém que não sabia ser feliz.
Uma vez, chorando em frente ao computador, peguei papel e caneta, e comecei a descrever cada lágrima que dos meus olhos caia, cada rangida que minha boca fazia.
Uma vez rezando em minha cama,pedi a Deus que força me desse, que qualquer luz que fosse me iluminasse, que qualquer estrada se abrisse.
Uma vez de joelhos sozinha dentro de um banheiro com pouca luz, me vi pequena,vi meu interior saindo por feridas que resolveram aparecer. Vi cada tropeço se tornarem um tombo só. E que tombo!
Foi ai,que um dia eu percebi que não adiantou de nada...Não adiantou eu ter sido boa,não adiantou eu ter tentando esquecer,não adiantou apagar a luz, porque os monstros só aparecem no escuro. E ele apareceu pra mim... Não era um monstro fisicamente feio,não cheirava mal,ele também não ria de mim. Ele apenas acendeu a luz, acendeu todas as luzes da minha ‘casa’, me pegou pelo braço e me levou diante de um espelho e me disse:
“O que pretendes?”
“Aonde você vai chegar?”
Com tantas cenas ensaiadas com tantos textos decorados, eu simplesmente disse:
“Eu não sei.”
Porque eu realmente não sabia, eu não sabia como havia chegado tão longe, eu não sabia quanto tempo fazia que eu não me olhava no espelho,por quanto tempo andei no escuro. Andei no escuro, e sai do meu caminho. Andei no escuro,porque eu queria. Eu andei na escuridão,porque a luz me assustava,por que eu sabia que ao acender as luzes, eu teria que me olhar, e responder a mim mesma: Até quando?
Ainda não sei o que responder ao monstro. Mas agora o que eu sei, é o seu nome. VERDADE!

Mayara Pandolfi.

17 julho, 2012

Resiliência




RESILIÊNCIA É a capacidade de adaptação às circunstâncias da vida.
No jogo da vida nem sempre recebemos as melhores cartas, mas o que vai fazer diferença
é a maneira como jogamos e o objetivo final é sempre ganhar;
mas tão importante quanto ganhar é o que aprendemos durante o processo.

DESAFIO DE CADA DIA 
Buscar soluções para realizar nossos sonhos...
Com as ferramentas que temos...
E gostar do que temos!
Este é o desafio! Mas  é também o segredo da felicidade

Não deixe que sua sensibilidade seja roubada.



Sinal vermelho. Já é o terceiro menino descalço que vejo hoje, mais uma criança suja, quase invisível e visivelmente carente de tudo. Com um gesto mecânico e curto, poupo esforços, digo em silêncio que não tenho dinheiro, aceito aquela cena inadmissível com a mesma frieza de um animal irracional, bicho egoísta. Sigo o embalo cego de São Paulo e sinto que estou deixando a megalópole cimentar meu coração, hoje com átrios de asfalto e um pulsar robótico, zabumba insensível. A cada dia que passa, ando mais apressado e com menos olhos. O sol se põe todo dia e nunca estou lá para vê-lo partir, a lua vez ou outra está cheia, mas e daí? Minha agenda também está, sempre inundada de compromissos e coisas sem importância, inadiáveis.
O som das buzinas está cada vez mais alto e ensurdecedor. Não reconheço mais a voz etílica do “poetinha” Vinicius. Acordo mudo e não assovio mais os acordes harmônicos de Toquinho e pior: não tenho tempo para me emocionar quando ouço “Olhos nos Olhos”, cantada pelo mestre Chico. Sinto cheiro de fumaça negra, densa, dessas que cospem os caminhões e já nem sei mais qual o perfume usado pelas damas da noite. Sinto gosto de piche, de café amargo, que tomo só pelo poder energético da cafeína. Esqueci o quanto era bom queimar a língua, repetidas vezes, na deliciosa lasanha da minha avó, que também foi esquecida pelo tempo e deixada de lado numa casa infestada de crochê, novela, naftalina e silêncio eterno.
Os prédios estão cada vez mais altos, mas realmente não ligo se esses monstros hoje tapam o esplendor das estrelas, pois esse brilho eu deixei com a paz do passado, eternamente esquecido no céu franco do interior, junto com as frutas sempre maduras que roubei do pé e com as memórias coloridas de quando eu ainda era criança, de joelho ralado e humano.
Hoje sou Fast Food, Flex, High Tech, Full HD e até digital, mas infelizmente não sei a enorme diferença entre uma orquídea e um girassol. Hoje sou SMS de poucos caracteres, e-mail objetivo, parabéns no Facebook, mas nunca saberei o odor sinestésico e inexplicável que tem uma carta escrita a mão. Sou o beijo de tchau que nem ousa encostar o lábio na bochecha do receptor, sou o bom-dia nunca dito para o vizinho de elevador, sou também o esbarrão na rua lotada de outros como eu, seres cuja palavra desculpa sumiu do léxico. Sou um livro egoísta de autoajuda que não lê mais poesia. Sou preconceito de tudo que não sou e não tenho coragem de ser. Perdi a sensibilidade pouco a pouco e quando percebi, deixei de ser.
Não deixe de sofrer toda vez, das muitas vezes que infelizmente ainda verá uma criança com cara de sarjeta e se puder ajude-a, você pode não ter dinheiro, mas sempre terá um estoque infinito de abraços. Se amar alguém, diga logo, não repita isso milhões de vezes, achando que assim manterá essa pessoa ao teu lado, mas diga, pois a vida não avisará a hora de dizer “The End”. Pare de brigar com tua mãe porque ela te liga duzentas vezes por dia, certas coisas não mudarão. Não tenha vergonha de beijar teu pai no rosto, beijar com gosto, se possível na frente do mundo todo, repito: a vida não pede licença quando quer levar alguém. Leia muita poesia, embrenhe-se na selva de palavras quando quiser fugir do caos, absorva toda emoção que puder, seja homem ou seja mulher, mas seja sensível.
Deixe que tomem seu relógio caro e sua mala cheia de dólares, mas se alguém um dia anunciar assalto, encostar uma arma no teu peito e tentar roubar a sensibilidade que lhe resta, reaja com unhas e dentes, pois perdê-la será seu maior risco de morte.

Ricardo Coiro

Amor é pra quem ama.



Qualquer amor já é
um pouquinho de saúde
um montão de claridade
contribuição
pra cura dos problemas da cidade
Qualquer amor que vem
desse vagabundo e bobo
coração atrapalhado
procurando o endereço
de outro coração fechado
Amor é pra quem ama
Amor matéria-prima
A chama
O sumo
A soma
O tema
Amor é pra quem vive
Amor que não prescreve
Eterno
Terno
Pleno
Insano
Luz do sol da noite escura
"qualquer amor já é
um pouquinho de saúde
um descanso na loucura"
Lenine

Proibido ser morno.



Hoje acordei cheio de vontades, engasgado com meus tantos anseios. Ainda na cama desejei ser um galã à moda antiga e quem sabe enviar uma carta apaixonada para bem longe, só pelo prazer de esperar ansiosamente por uma resposta construída com palavras imprevisíveis. Abri os olhos com a ânsia gritante de recrutar amigos, dos mais sem vergonha, e fazer com eles minha primeira serenata, dessas que começam com pedra atirada na janela e terminam em aplausos solitários e lágrimas caindo de surpresa sobre o parapeito do meu peito, água derramada pela mulher descabelada, que envergonhada mostraria todos os dentes num sorriso impossível de ser guardado para mais tarde.
Hoje despertei arrependido pelas tantas portas de carro que deixei fechadas, com medo de ser cavalheiro em demasia, de fachada, a ponto de parecer mal-intencionado num mundo que atropelou tanta gentileza do passado. Acordei sem conseguir engolir as muitas vezes que cheguei à casa dela de mãos vazias, quando o que mais queria era ter sido portador de um buquê com rosas bem tagarelas, que infelizmente deixei caladas, intocadas na vitrine da floricultura.
Hoje chorei por ter perdido os versos que a vida me obrigou a esquecer antes mesmo que eu pudesse escrevê-los em algum guardanapo de boteco, SMS etílico ou no coração alado de alguma mulher que por ao menos uma noite foi inteira minha. Hoje sorri quando me vi no espelho e em meio à minha barba escura percebi um solitário fio branco, a prova irrefutável de que estou envelhecendo, aprendendo a perder tudo que tenho para quem sabe um dia, poder ensinar algo sobre ganhar o que me falta.
Hoje comemorei com fogos de artifício e champagne as minhas incontáveis derrotas, as inúmeras vezes que passei longe do pódio e nem ao menos pude estimar o peso daquele troféu. Celebrei os gols praticamente feitos que perdi em cima da linha do pênalti, os socos dos quais não fui capaz de esquivar e principalmente, as vezes que subestimei meu adversário e felizmente percebi minha falta de modéstia enquanto superestimava-me. Aplaudi esses tantos tombos com a certeza de que foram eles que me lecionaram o sabor perigoso da vitória e todo o risco presente nas medalhas de ouro que carregamos no peito, como se vestíssemos uma armadura dourada de orgulho.
Hoje cantei Sinatra no banho e sem me importar com meu desafino fiz do xampu microfone, como se pelado eu trajasse chapéu e gravata borboleta, mais que isso: como se de dentro do meu box de vidro transparente eu pudesse enxergar o mundo todo do meu jeito, “My Way”, feito de muita poesia e folhas em branco, prontas para receber a tinta fluorescente dos meus insaciáveis desejos.
Hoje acordei fervendo, com febre de viver e uma incendiária certeza: para abrir os olhos de verdade, não é permitido ser morno. Não importa com qual pé pisará primeiro quando resolver sair da cama e do coma, apenas pise forte e mantenha seus passos com fome, o mundo está ali para que você o devore já! Não espere tanta coisa esfriar.
Ser morno é caminhar em cima do muro, é esperar o tempo passar sem passar pelo tempo. Ser morno é segurar a cintura dela com a mão frouxa, é fazer sexo sem entregar-se até colocar fogo no colchão. Ser morno é desejar coisas medianas e saciar a vontade com coisas menores ainda. Ser morno é fazer striptease pela metade, penetrar pela metade e amar pela metade. Ser morno é estar sempre meia-bomba e não deixar nenhum estilhaço cravado no mundo. Por mais masoquista que pareça, prefira aquilo que queima e inevitavelmente marca – essas são as coisas que, no futuro, te farão olhar pra trás e constatar que a vida valeu a pena.


Ricardo Coiro
Disponível em: http://www.casalsemvergonha.com.br/2012/05/29/proibido-ser-morno/

O amor exige coragem


Mais do que coragem pra dizer o que pensa a seu chefe. Pra pedir demissão daquele emprego "maravilhoso" e abrir um negócio próprio. Mais do que coragem pra admitir querer ser mãe solteira ou trancar a faculdade e viajar pelo mundo...
Você precisa de coragem pra amar. Coragem pra passar por cima do que os outros pensam. Coragem pra engolir um pouco do seu orgulho. Pra afirmar que você encontrou a pessoa da sua vida (pelo menos nesse momento) e admitir não conseguir viver sem ela. Claro que você consegue viver, mas que a vida fica bem melhor com essa pessoa do lado, ahh... isso fica.
Ter coragem pra assumir erros. Pra pedir perdão. Coragem de ligar quando se tem vontade e não ligar quando não tem. Coragem de dizer "eu te amo". De mandar mensagens românticas (e breguinhas). De escrever um poema. Coragem pra dizer "fica mais". Pra dizer "quero você". Ter coragem de admitir que ele é um mané e que você adora. Mandar letras de músicas sem medo de parecer cafona. Coragem pra ser cafona.
Ter coragem pra amar é chorar no colo dela sem receio de parecer um fraco. De dividir os problemas e pedir opinião, ajuda. Ter coragem de aparecer de surpresa com um presente lindo, ou só um bombom, ou só você. Coragem de divergir, de discutir. Coragem de olhar dentro dos olhos. De ouvir. Coragem pra deixar ser livre. Pra ter a segurança que essa pessoa volta, se o amor dela for seu de verdade. Coragem de correr riscos. De se jogar sem medo de cair. Ter coragem até pra admitir que é amor. Ter muito peito, muita audácia, muita força. O AMOR EXIGE CORAGEM... e isso... é para poucos.

Fernanda Marchioretto

16 julho, 2012

Insensata Lógica



Ah, quer saber o que eu penso? Você agüentaria conhecer minha verdade? Pois tome. Prove. Sinta. Eu tenho preguiça de quem não comete erros. Tenho profundo sono de quem prefere o morno. Eu gosto do risco. Dos que arriscam. Tenho admiração nata por quem segue o coração. Eu acredito nas pessoas livres. Liberdade de ser. Coragem boa de se mostrar. Dar a cara a tapa! Ser louca, estranha, linda, chata! Eu sou assim. Tenho um milhão de defeitos. Sou volúvel. Tenho uma tpm horrivel. Sou viciada em gente. Adoro ficar sozinha. Mas eu vivo para sentir. Por isso, eu te peço. Me provoque. Me beije a boca. Me desafie. Me tire do sério. Me tire do tédio.Vire meu mundo do avesso!. Mas, pelo amor de Deus, me faça sentir... Um beliscãozinho que for, me dê. Eu quero rir até a barriga doer. Chorar e ficar com cara de sapo. Este é o meu alimento: palavras para uma alma com fome.

"Meu coração é minha razão. Essa é a lógica que inventei pra mim."

Fernanda Mello

Hoje o Blog faz 2 anos



Hoje o Blog faz 2 anos :))))
E que bem que ele me faz, aqui eu encontro todos os poemas que eu poderia ter escrito, se soubesse, do tanto que traduzem a minha alma.
Aqui eu me perco e me encontro. E esse cantinho é completamente especial p mim!


"Mas há a vida que é para ser intensamente vivida, há o amor. Há o amor. Que tem que ser vivido até a última gota. Sem medo nenhum. Não mata." Clarice Lispector 

15 julho, 2012

Porque, há muito, eu erro a mão.


“Porque, há muito, eu erro a mão. A dose. Esqueço a receita do equilíbrio. O quanto uso das partes que brigam dentro de mim. Há muito, eu me confundo. Porque metade não tem medo e levanta os braços, na descida da montanha-russa. Olhos abertos, enquanto outra acha melhor enfrentar a queda com as mãos na barra. Segurando forte. Espremendo os dois olhos, fechados, desde o começo do percurso. Metade prefere brincar na beira da praia. No raso. Enquanto outra não vê problemas em pular dezenas de ondas e nadar onde a pequena bandeira vermelha, agitada pelo vento, avisa sobre o risco. Sobre o possível afogamento. Porque, há muito, eu erro a receita do equilíbrio. Uso a parte que não deveria na hora em que não poderia. Me confundo com as metades que brigam dentro de mim. Porque parte acelera na estrada, no momento da curva fechada. Pé direito até o fim, enquanto outra freia, bruscamente, ao ver a primeira placa. Seta torta, avisando sobre o perigo. Metade não suporta a burrice, a pequenez, a lerdeza. Outra, sempre calada, tolera a banalidade. Engole a ignorância. Convive com a mediocridade. Há muito, eu erro a mão. A dose. Me confundo com o que devo usar. Porque metade briga. Explode. Dedo apontado na cara, enquanto outra se recolhe, quieta, debaixo da cama. No quarto fechado. No tudo escuro. Metade berra. Outra sussurra. Tenho uma parte que acredita em finais felizes. Em beijo antes dos créditos, enquanto outra acha que só se ama errado. Tenho uma metade que mente, trai, engana. Outra que só conhece a verdade. Uma parte que precisa de calor, carinho, pés com pés. Outra que sobrevive sozinha. Metade auto-suficiente. Mas, há muito, eu erro a mão. A dose. Esqueço a receita do equilíbrio. Me perco. Há dias em que uso a metade que não poderia. Dias em que me arrependo de ter usado a que não gostaria. Porque elas brigam dentro de mim, as metades. Há algumas mais fortes. Outras ferozes. Há partes quase indomáveis. Metades que me fazem sofrer nessa luta diária. Não deixar que uma mate a outra.”

Eduardo Baszczyn

12 julho, 2012

A pé e de coração leve...



"A pé e de coração leve eu enveredo pela estrada aberta, saudável, livre, o mundo à minha frente, à minha frente o longo atalho pardo levando-me aonde eu queira. Daqui em diante não peço mais boa-sorte, boa-sorte sou eu. Daqui em diante não lamento mais, não transfiro, não careço de nada; nada de queixas atrás das portas, de bibliotecas, de tristonhas críticas; forte e contente vou eu pela estrada aberta."


Walt Whitman em Canto da Estrada Aberta.

Eu te devoro.


♫ Teus sinais; Me confundem; Da cabeça aos pés; Mas por dentro; Eu te devoro, Teu olhar; Não me diz exato; Quem tu és; Mesmo assim; Eu te devoro...
Te devoraria; A qualquer preço, Porque te ignoro, Te conheço, Quando chove ou; Quando faz frio, Noutro plano; Te devoraria Tal Caetano; A Leonardo DiCaprio... 
É um milagre, Tudo que Deus criou; Pensando em você, Fez a via-láctea; Fez os Dinossauros, Sem pensar em nada; Fez a minha vida; E te deu, Sem contar os dias; Que me faz morrer, Sem saber de ti; Jogado à Solidão, Mas se quer saber; Se eu quero outra vida; Não! Não! 
Eu quero mesmo é viver; Pra esperar, esperar; Devorar você... 
Djavan

07 julho, 2012

Porque todo mundo tem desejo...



"(...) Porque todo mundo tem desejo, tem vontade, tem um projeto de vida. E eles podem ser diferentes, podem entrar em conflito, podem se estranhar. Por isso, a gente precisa de paciência, conversa, jogo de cintura e algum sacrifício. É, ninguém disse que uma relação é simples. A gente precisa ceder, o outro precisa ceder, um dia alguém me falou que não dava pra ter tudo. E não dá. Se desse não seria a vida. A gente pode ter o suficiente, mas tudo, tudo não. Por favor, faça isso entrar na sua cabeça que eu vou fazer entrar na minha. Vamos torcer, dar 3 pulinhos, acender uma vela, rezar para todos os santos que nem acreditamos, mas vamos fazer alguma coisa. Por mim, por você, por nós."

— Clarissa Corrêa.




”Ela está longe de ser equilibrada. Ela é doida varrida. Faz duas vezes antes de pensar, mas nunca se arrepende. Acho que por isso ela é diferente. É que nada nela é de mentira. O que ela faz, assume. E só não faz, quando realmente quer dizer não. Ela gosta da palavra sim. Assim como amor, paixão, loucura, literatura, música, arte, azul e felicidade. Ah, e ela também gosta de você. Mas…essa é outra história.”

Aghata Paredes

Sorri como...



❝ Sorri como quem não quer nada, chega como quem não quer nada, senta ao meu lado como quem não quer nada e vai embora como quem quer tudo mas não pede, porque tem medo de ficar sem nada."

— Aghata Paredes.

Aquite-se



❝ Aquite-se Manoela.” - Eu ouvi a mãe se direcionando a menina e segurando suas mãonzinhas pequeninas. Sorri. A mãe olhou pra mim e como que abaixando a guarda, soltou as mãos da filha e tentou entender o motivo de eu estar olhando.
Ela então se aproximou no banco, e puxou conversa. Antes de se pronunciar, ela procurou ler o título do livro: ”A menina que roubava livros.” Então, ela disse, ainda tímida e talvez um tanto insegura do que iria dizer:
”Livro muito interessante…”
Eu fiz que sim com a cabeça. Depois a criança, se aproximou e ficou olhando pra mim sorrindo, boba e feliz, apesar do corretivo anterior da mãe.
A moça que estava ao meu lado, então disse, ”Manoela é inquieta, não para um segundo. Mas quando pega um livro…é como se fosse outra. Ela gosta muito de ler.”
Eu olhei e sorri.
Pensei mas não disse…
”As atitudes inquietas, refletem de pensamentos turbulentos. Não no mal sentido, bom também. Mas livro…livro aquieta. E nos limpa por dentro. É como banho de mar. Você se renova e sai sorrindo, apesar da areia grudada na pele e o sal ardendo pelos olhos. O mergulho sempre vale a pena."

— Aghata Paredes.

06 julho, 2012

O amor e seus espelhos.



Essa é uma carta de amor. Só que nessa carta falo mais de mim do que de você. Porque estar com você é estar comigo. Explico já. Estar com você, no final das contas, é estar diante do grande espelho da minha vida. É quando tenho a chance de conhecer meu jeito de amar, as minhas necessidades, expectativas e escolhas que faço para nossa história, pra minha história.
Quando me enxerguei no espelho do amor, deixando aquela ideia fracassada de tentar te mudar, me libertei. Me libertei da busca pelo cara certo, de pintar você como o cara certo e passei a querer ser eu uma pessoa melhor para se relacionar. Fiquei humilde diante do meu desejo de amar e ser amada. Quis ser merecedora disso.
O espelho do amor não está apenas nas conversas francas e profundas, quando falamos tudo às claras. Está, sobretudo, no seu maior defeito, na sua pior mania, na coisa mais irritante que você faz. Coisa que, ironicamente, passa a ser matéria prima de felicidade. Por que essas coisas me irritam? Por que elas chamam minha atenção? Por que ponho tanta energia nelas?
Pra chegar em respostas, fiz uma lista das coisas que me irritam em você. E tive uma grande surpresa -  sabe quem eu encontrei nelas? Eu! Eu irritada com tudo o que não quero para minha vida. Mas lá estou, em muitos momentos sendo exatamente aquilo que detesto em você. É o macaco que olha pro próprio rabo. E aí penso: até que ponto essas coisas irritantes são suas e o que elas falam de mim? Então, te conto o que aprendi ao olhar para o espelho:
1. Que preciso aprender a pedir desculpa, a parar de inventar desculpas,a assumir estar errada e pronto. Que prazer, que liberdade de ser imperfeita. Só quero de você que esteja lá, comigo, me mostrando aquilo que quero melhorar. Por mim e, depois, por nós.
2.  Parei de me desgastar cobrando de você atitudes e comportamentos que refletem necessidades minhas que não lhe cabem. Perceber e aceitar isso são jeitos de estar menos egoísta, idealizando que você seria a fonte para atender 100% das minhas necessidades. Imagina. Tirei de você a responsabilidade de me fazer feliz. Eu me faço feliz. Só que escolhi fazer isso também do seu lado porque você tem muito pra me oferecer.
3.  Você é pra mim fonte de amor, carinho, afeto, diversão, prazer. Mas estou aprendendo a ter isso em outros lugares. Porque eu quero tantas formas de amor, carinho, afeto, diversão e prazer. E tantas outras coisas que nem passam pela nossa relação. Quero coisas demais pra deixar isso tudo na sua mão, sabe?
4.   Você é leve. Seria uma agressão e uma burrice tirar isso de você deixando a minha felicidade por sua conta. Eu te quero leve. Trazendo leveza pra minha vida. Então, certos dramas que são só meus, eu já não quero que se resolvam na nossa relação. Desses dramas cuido eu, enquanto reservo para nós as delícias da vida que me fazem rir dos dramas que agora já se tornam até um pouco ridículos quando reconheço as coisas boas que temos juntos.
Este texto é pro mundo e é de presente pra você. É porque com você eu conheci o espelho do amor. Eu resolvi olhar pra ele, mas se você não bancasse com tranquilidade ser o meu espelho e persistisse entregando pro tempo e pra minha escolha a responsa de eu aprender com o que você me mostra, eu hoje não teria a clareza que tenho sobre isso que me faz sentir tão viva. E a gente nem estaria juntos. Pois seria tão simples pra qualquer um dos dois pular fora do barco na hora da crise. Eu já pulei fora de barcos em outros amores. Valeu a pena. Vivi tudo o que tinha que viver. Aprendi com isso, coloquei coisas novas na mala e cheguei até você. Hoje me parece bom persistir. Também é mérito seu eu ter motivos pra isso. Você merece que eu espelhe de volta toda a sua generosidade de refletir para mim o que é preciso fazer pra fazer crescer em contentamento e sinceridade a minha história, que inclui a nossa.
Falando em generosidade, quero frisar que o amor é generoso e que amar alguém é encarar o espelho do nosso ser. Ele está lá, escancarando coisas da nossa vida. A escolha é olhar com os olhos de quem quer ver.

Camila Penachioni - Psicóloga e artista.

Namora comigo.


♫ Hoje eu estou sozinha; Você está na minha; Não adianta se esconder; Já não tem mais jeito; Tudo está perfeito; Agora é só eu e você; Juntos na mesma estrada; Atravessando a madrugada; Pra ver o sol nascer; E em nossa aurora perceber; A delícia de viver; Tudo que a gente sempre quis; Olhar nos olhos de alguém; E conseguir dizer: Estou feliz!
Fica comigo; Namora comigo; Casa comigo; Viva comigo até o fim; Porque sou seu abrigo; Não tem mais perigo; Fica comigo; Namora comigo até o fim. 
Paulinho Moska

04 julho, 2012

Tudo novo de novo



Vamos começar; Colocando um ponto final; Pelo menos já é um sinal; De que tudo na vida tem fim; Vamos acordar; Hoje tem um sol diferente no céu; Gargalhando no seu carrossel; Gritando nada é tão triste assim; É tudo novo de novo; Vamos nos jogar onde já caímos; Tudo novo de novo; Vamos mergulhar do alto onde subimos; Vamos celebrar; Nossa própria maneira de ser; Essa luz que acabou de nascer; Quando aquela de trás apagou; E vamos terminar; Inventando uma nova canção; Nem que seja uma outra versão; Pra tentar entender que acabou; Mas é tudo novo de novo; Vamos nos jogar onde já caímos; Tudo novo de novo; Vamos mergulhar do alto onde subimos.

Paulinho Moska

Tudo que vicia começa com C




Por alguma razão que ainda desconheço, minha mente foi tomada por uma ideia um tanto sinistra: vícios.Refleti sobre todos os vícios que corrompem a humanidade. Pensei, pensei e, de repente, um insight: tudo que vicia começa com a letra C!De drogas leves a pesadas, bebidas, comidas ou diversões, percebi que todo vício curiosamente iniciava com cê.Inicialmente, lembrei do cigarro que causa mais dependência que muita droga pesada. Cigarro vicia e começa com a letra c. Depois, lembrei das drogas pesadas: cocaínacrack e maconha. Vale lembrar que maconha é apenas o apelido da cannabis sativa que também começa com cê.Entre as bebidas super populares há a cachaça, acerveja e o café. Os gaúchos até abrem mão do vício matinal do café, mas não deixam de tomar seu chimarrão que também - adivinha - começa com a letra c.Refletindo sobre este padrão, cheguei à resposta da questão que por anos atormentou minha vida: por que a Coca-Cola vicia e a Pepsi não? Tendo fórmulas e sabores praticamente idênticos, deveria haver alguma explicação para este fenômeno. Naquele dia, meu insight finalmente revelara a resposta. É que a Coca tem dois cês no nome enquanto a Pepsi não tem nenhum.Impressionante, hein?E o  computador e o  chocolate? Estes dispensam comentários.  Os vícios alimentares conhecemos aos montes, principalmente daqueles alimentos carregados com sal e açúcar. Sal é cloreto de sódio. E o açúcar que vicia é aquele extraído da cana.Algumas músicas também causam dependência. Recentemente, testemunhei a popularização de uma droga musical chamada "créeeeeeu". Ficou todo o mundo viciadinho, principalmente quando o ritmo atingia a velocidade. cinco.Nesta altura, você pode estar pensando: sexo vicia e não começa com a letra C. Pois você está redondamente enganado. Sexo não tem esta qualidade porque denota simplesmente a conformação orgânica que permite distinguir o homem da mulher. O que vicia é o "ato sexual", e este é denominado coito.Pois é. Coincidências ou não, tudo que vicia começa comcê. Mas atenção: nem tudo que começa com cê vicia. Se fosse assim, estaríamos salvos pois a humanidade seria viciada em Cultura.
Luís Fernando Veríssimo

02 julho, 2012

É o que me interessa.




Daqui desse momento
Do meu olhar pra fora
O mundo é só miragem
A sombra do futuro
A sobra do passado
Assombram a paisagem.

Quem vai virar o jogo
E transformar a perda
Em nossa recompensa
Quando eu olhar pro lado
Eu quero estar cercado
Só de quem me interessa.

Às vezes é um instante
A tarde faz silêncio
O vento sopra a meu favor
Às vezes eu pressinto e é como uma saudade
De um tempo que ainda não passou
Me traz o seu sossego
Atrasa o meu relógio
Acalma a minha pressa
Me dá sua palavra
Sussurra em meu ouvido
Só o que me interessa.

A lógica do vento
O caos do pensamento
A paz na solidão
A órbita do tempo
A pausa do retrato
A voz da intuição
A curva do universo
A fórmula do acaso
O alcance da promessa
O salto do desejo
O agora e o infinito
Só o que me interessa.
Lenine

01 julho, 2012

Às vezes é preciso dormir.



"Às vezes é preciso dormir, dormir muito. Não pra fugir, mas pra descansar a alma dos sentimentos. Quem nasceu com a sensibilidade exacerbada sabe quão difícil é engolir a vida. Porque tudo, absolutamente tudo devora a gente. Inteira."

Marla de Queiroz

Sobre os domingos.


Domingos são dias quietinhos. Aqui e em qualquer lugar do mundo. Domingos são dias pra colocar os pensamentos em dia, organizar as ideias, assistir a um bom filme e tirá-lo como lição. Há quem fique deprimido nos domingos, não julgo. Quem nunca sentiu uma pontazinha de depressão só de ouvir ”domingo” que atire a primeira pedra. Mas domingos não são pra isso. Domingos são quentinhos, nos aquecem, nos fazem esquecer e nos fazem lembrar. Ele cura o mal da semana inteira, nos envolve em seu manto protetor e diz baixinho em nossos ouvidos: ”se aquieta, se aquieta, que outra semana está começando. Enquando a segunda não chega, fica aqui comigo e descansa, esquece. Se distrai.” Domingos são ninhos imaginários, a gente deita, pega uns cobertores, um café e vai ler um livro. Viaja, dorme, assiste tv e descansa a mente. Domingos não são castigos. São presentes.


Aghata Paredes